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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Tenho sido uma menina muito má......

Mas prometo que vou meter aqui as receitas que toda a gente sabe, só porque sim, e fotos sem luzes nem planos especiais, mas provavelmente com algumas pintarolas, e muitas muitas fotos de árvores, porque nunca são demais!




















quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Lusco fusco do ano.


A preto e branco.

O vestido que aparecia na velha fotografia era de uma tonalidade sombria de cinzento-escuro, quase a raiar o preto, apesar de Roland saber que, na verdade, era antes de um vermelho escuro, da cor das rosas no alpendre, que plantara unicamente para ela, e que a deixaram com os olhos sorridentes e uma expressão luminosa no rosto no dia em que usara esse vestido.


Aliás, colocado de forma descuidada e selvagem no seu colo, na fotografia, estava também um enorme ramo de rosas semelhantes, presente dele para a ocasião.

Na imagem, recordava Roland com cuidado e pormenor, nada do que surgia era propriamente verdade: o vestido apresentava outra cor, as rosas mostravam uma sombra do esplendor que realmente tinham tido, o seu rosto vivo e sorridente era hoje estático, branco como cera, com as pálpebras ligeiramente roxas da dor, da doença, do desgosto e da insónia, frio como gelo e, inquestionavelmente, morto.

Annaleah estava morta há mais de 50 anos.

Roland mantivera-se viúvo e solitário todo esse tempo, conservando intacta a sua memória, o seu rosto de porcelana pura, os longos cabelos negros e perfumados com alfazema e algo mais, que apanhava de forma demasiado puritana atrás da cabeça, quase uma blasfémia para cabelos tão divinais, as suas mãos tépidas, macias e harmoniosas, os seus olhos pretos como a noite. Era assim que a via cada vez que fechava os olhos, e parecia-lhe que ela se encontrava mesmo a seu lado, sentada na sua poltrona habitual.

Cuidara das duas filhas de ambos – Susan e Sylvia – ajudara-as a crescer, educara-as, nunca lhes faltara com nada, e isso havia-o mantido deveras ocupado.

Apesar de tudo, não pensara em substituí-la.

Ao contrário do que ela pensava.

Era estranho vê-la agora da mesma maneira, passado todo este tempo.

Intacta.

Como se a tivessem acabado de depositar no féretro escuro.
Como se as crianças ainda agora tivessem perguntado porque é que a mãe não acordava, e porque estava tanta gente estranha e bem vestida em casa.
Como se ainda ontem tivesse plantado a maldita roseira que causara toda aquela maldita desgraça e que lhe cravara os espinhos maldosos nas mãos.
Mas não.
50 anos tinham passado.
Ele envelhecera.
As miúdas cresceram, e começavam também elas a envelhecer.
A roseira, essa, crescia a olhos vistos, cada dia mais forte, cada dia mais robusta, cada dia mais poderosa, a escarnecê-lo.
E Annaleah…
Fora necessário, ao fim de todos estes anos, exumar o seu corpo.
Theresa confessara, no leito de morte.
Ele já calculava.
Era algo que pretendia fazer, quando chegasse a sua hora.
Não queria ir para o Outro Lado com aquele peso.
Mas não calculara que Theresa fosse primeiro que ele.
Não calculara que fosse possível provar uma suposição absurda daquelas.
Não calculara que levassem o assunto a sério. Não depois de todo este tempo.
Não calculara que o corpo de Annaleah estivesse incorrupto, como o de uma santa, ou de um mártir, e que permitisse prová-lo com tanta facilidade.
Causa de morte: envenenamento.
E qualquer coisa mais.
Afinal, o facto de o marido e a sua irmã congeminarem juntos a sua morte deve ter tido algum peso no caso.
A gota de água fora, precisamente, a roseira.
No dia do aniversário de Annaleah, o dia da fotografia, Roland plantara a roseira, e trouxera duas dúzias para presentear a mulher.
Theresa, ao vê-lo chegar, invejou as rosas com todo o seu ser.
Duas dúzias! Lindas. Rubras. De causar toda a espécie de sentimentos luxuriosos.
Theresa queria a roseira para si.
Quis mais que isso, naquele dia.
Inevitavelmente, Annaleah estava a mais.
Roland olhou para a única fotografia que trouxera.
Colocou-a na mesa ao lado da sua cama, a ver como se encaixava naquele buraco. Da última cama que alguma vez teria.
Estava velho.
Muito velho.
Passou as mãos enrugadas pela face exausta.
E, mesmo assim, tivera de vestir aquela roupa preta e branca, suja, dura, o tecido deprimente de um estabelecimento prisional.
Até à sua morte. 
A sentença fora clara.
Era impossível sair dali com vida.
Foram buscá-lo a casa, como se aquela se tratasse apenas de uma visita de cortesia. Os seus colegas de trabalho, amigos de longa data, gente que sempre o considerara incorrupto.
Mal sabiam eles que o crime mais macabro da cidade havia sido o dele…
Maldita roseira, a escarnecê-lo nas costas, enquanto o levavam.
Teve vontade de agarrar no machado e arrancá-la aos pedaços, de a destruir, de a estraçalhar.
As filhas nunca lhe haviam permitido arrancá-la.
Lembrava a mãe, diziam.
Crescera o suficiente para cobrir a fachada da casa branca, como uma mancha de sangue criminoso, fazendo-o lembrar do seu crime todos os dias.
Mas agora já não.
Agora, podia respirar livremente.
O corpo preso, mas a alma livre daquele espectro da roseira a espreitá-lo todos os dias.
Deitou-se serenamente no catre duro, com a fotografia encostada ao peito, inspirou fundo, sorriu descansado, e fechou os olhos calmamente.

E já não os voltou a abrir.








Cherries do mê coração, mudei de Póvoa, a ver se um dia destes instalo a máquina e venho para aqui mais vezes!


Nos entretantos, a do café já vai rodando, que é o que é preciso!

Slaintè!



segunda-feira, 11 de junho de 2018

Aparte ao casamento real, 23 dias depois.

Agora que já andamos no rescaldo da festarola e das fatiotas e de a quem deu ou não o badagaio (ainda não foi desta que foi a Raínha), e até já se fala que a noiva ia grávida de gémeos e para aí com uns 14 meses de gestação, presta-nos comentar este singelo detalhe da boda.

Acho que é um bocado discriminativo estar toda a gente com os olhos na noiva para ver se ela fica melindrada por terem sido convidadas 67456 ex-namoradas do noivo (se bem que apenas duas oficiais, e aqui contamos aquelas para quem ele só olhou para as pernocas), ou por haver sempre uma convidada que vai quase vestida de noiva, a ver se arranja algum homem solteiro ou nem por isso, ou com a cabeça na lua que agarrou na primeira farpela que apanhou do armário às 7 da manhã, ou outra com as mamas enormes quase de fora mas que aparece sempre sem par, mas ninguém quer saber se o pobre do noivo se sente melindrado por ir algum convidado que o deixe mais diminuído ou por ir mais bem vestido que ele ou por ter o sapato da moda, e então vão e convidam o Beckham, que ofusca logo tudo quanto é home naquela festa, até porque de certeza que as madamas andam todas com recortes estratégicos dos catálogos da H e M nas suas pachetes Luí Vutón.

Estão a ver, ninguém pensa no noivo!




terça-feira, 27 de março de 2018

Um pedacinho de luz para o universo.


Should've stayed, were there signs, I ignored?
Can I help you, not to hurt, anymore?
We saw brilliance, when the world, was asleep
There are things that we can have, but can't keep
If they say
Who cares if one more light goes out?
In a sky of a million stars
It flickers, flickers
Who cares when someone's time runs out?
If a moment is all we are
We're quicker, quicker
Who cares if one more light goes out?
Well I do
The reminders pull the floor from your feet
In the kitchen, one more chair than you need oh
And you're angry, and you should be, it's not fair
Just 'cause you can't see it, doesn't mean it, isn't there
If they say
Who cares if one more light goes out?
In a sky of a million stars
It flickers, flickers
Who cares…

(I keep my candle burning)

terça-feira, 20 de junho de 2017

Midsummer Eve.

Hoje é a noite do Solstício de Verão, a noite mais curta, o dia mais longo.

Que nos inspire a ser melhores.

(e a controlar a nossa vontadinha de esganar alguém cada vez que se vê o C#$#%&& da Manhã, ou aquele pessoal que acha que cumpriu o dever de ajudar o país por ter votado na petição que mete os presos a trabalhar, "prontes, agora já poço ir pá praya kontrolar as babes e bronz&ar e buer mines e rádeléres freskinhas". Dasse, pah, 10 mil para se plantar mais carvalhos e 3 vezes mais para voltarem os trabalhos forçados, voltamos ao século XVIII!)

Zen, Marta, zen!







terça-feira, 13 de junho de 2017

Salmorejo Cordobés

Esta é uma sopa fria que aprendemos a fazer em Madrid com um amigo sevillano, que era um cozinheiro de %#@# madre, e que sabe a maravilhas num dia quente como o de hoje.

Por acaso, foi emborcada a seguir a uma caracolada, já que estamos decididos a mostrar aos caracóis daqui do quintal que estamos no topo da cadeia alimentar, de modo que vamos para o alpendre incentivá-los a largar as alfaces e as videiras.

Então, isto é muito simples! Precisamos de:

500 grs de tomate vermelho bem maduro
100 grs de pão duro
100 ml de azeite
1 dente de alho
sal
água

As quantidades variam de acordo com o gosto: mais tomate, mais líquida, mais pão, mais espessa, azeite a gosto de quem vai comer, só não aconselho aumentar a dose de alho, porque vai cru para a mistura e depois ninguém quer ser vosso amigo. Trust me on this one.


Para fazer:

Partir o pão em pedaços e colocar numa taça com água fria.
Colocar na picadora o tomate em pedaços e desfazer. Adicionar o pão e desfazer.
Juntar o sal, o alho e o azeite e desfazer.
Depois de tudo muito bem misturado, rectificar os temperos e colocar no frigorífico até servir.

Acompanhar com pedaços de ovo cozido, queijo, requeijão, tomate, pimento, bacon, pepino, chouriço, tostinhas, presunto, o que gostarem.

Para quem gosta de fazer as coisas certinhas, podem pelar os tomates e partir tudo em pedacinhos com muito jeitinho, mas o facto é que isto vai ficar tudo desfeito na mesma, tomate com casca ou não, pelo que podem optar pela técnica cá de casa de "tomate, tráu, pão, tráu, alho, sal e azeite, tráu" e em menos de dois minutos têm a sopa feita. 

(a foto continua sem ser minha, até tirei com o telemóvel da minha sogra, mas ela apagou sem querer, juro!)




quinta-feira, 11 de junho de 2015

Esparguete Primavera.


Continuamos com os vegetais, o que quer dizer que se pode comer só assim, mais levezinho para esta época do ano, ou para outra qualquer, ou servir de acompanhamento, para quem quiser.

Este prato não será tipicamente português, não sei se será sequer tipicamente italiano, mas é especialidade cá da casa.


Precisamos de:

Vegetais a gosto. aqui, usei alho francês, cogumelos, bróculos e feijão verde.

Podemos ter cenoura ralada, espinafres, ervilhas, couve-flor, courgette, beringela, espargos, couves de bruxelas em pedaços, pimentos das cores que quiserem, é só escolher, e variar de todas as vezes.
Podem juntar pedacinhos de frango, camarões, delicias do mar, manga, ananás, etc, etc, etc!

Esparguete ou outra massa a gosto.

Margarina, azeite e temperos a gosto


Como se faz:

Cozemos o esparguete à parte.

Numa frigideira grande, derrete-se a margarina e junta-se o azeite.

Corta-se o alho francês em rodelas finas e coloca-se a alourar na gordura.

Juntam-se os cogumelos cortados em pedaços e os espinafres.

Tempera-se a gosto.

Uso sal com orégãos, um frasquinho todo janota (e muito saboroso) que a minha sogra me trouxe de um dos passeios dela, e pimenta, que gosto de moer na altura.

Quando cozinhado, escorre-se o esparguete, cozido al dente e junta-se aos vegetais, deixando ganhar o sabor do molho e dos vegetais durante uns minutos, e tendo o cuidado de se ir mexendo.

Pode servir-se assim, simples, ou afogar em queijo ralado da vossa preferência.

É bom das duas maneiras.....



quinta-feira, 16 de abril de 2015

Mini Quiches

São iguais às outras, mas dão um bocadinho mais de trabalho, porque temos de fazer em doses mais pequenas.

Tem um efeito muito mais janota, porque são mais ligeiras, e ficam óptimas com salada.


Para estas, precisamos de:


Massa folhada

1 pacote de natas

200 grs de queijo emmental ralado

4 ovos

Cogumelos

Azeitonas

Milho

Sal

Pimenta



Como se faz:

Estende-se a massa nas forminhas.

Batem-se os ovos, juntam-se as natas e o queijo ralado e bate-se bem.

Coloca-se dentro das forminhas.

Com cuidado, deita-se dentro de cada forma os ingredientes a gosto. 

Podem usar espargos, frango, atum, camarões, espinafres, alho francês, cenoura ralada...

Vai ao forno a 200ºC durante cerca de 40 minutos.







(Já tinha esta receita há mais tempo, publicada na outra página onde às vezes meto o bedelho, e nem é tipicamente portuguesa, mas é bastante típica cá de casa, quer em formato redondo, quer em formato rectangular, e agora saltou para aqui.)

quinta-feira, 12 de março de 2015

Torta al cioccolato


Uma receita italiana.


Precisamos de:

1/2 chávena de açúcar
4 ovos separados
1/4 chávena de farinha
1/2 colher chá de fermento
tablete de chocolate de culinária, de 200 grs
50 grs de margarina

chocolate em pó para polvilhar


Derrete-se o chocolate em pedaços e a margarina em banho-maria.

Quando derretido, mexe-se para ficar uniforme.

Batem-se as claras em castelo firme.

Batem-se bem os ovos com o açúcar.

Resisti fortemente à tentação de meter raspa de limão, gosto de a meter em tudo, acho que fica um sabor fantástico junto com o chocolate, principalmente, mas não, desta vez aguentei-me, e segui a receita toda.

Quase, pronto...

Adiciona-se à mistura dos ovos a farinha, o fermento e as claras alternadamente.

Envolve-se o chocolate, cuidadosamente.

Vai ao forno pré-aquecido a 200 ºC durante 25 a 30 minutos em forma untada e polvilhada.


Deixa-se esfriar e polvilha-se com chocolate em pó.


Bom apetite!

(Vá, podem ir buscar aquela caixa de gelado de noz da carte d'or que têm ali na gaveta do congelador!)




Olá 2022! Olá blog! Vamos arrumar isto?

Ora cá estamos, mas por pouco tempo. Então..... isto não está vida para gerir uma data de blogs ao mesmo tempo, por muita vontade que tenham...